... AMAR É VIVER ...


A SECA

09-01-2012 16:23

A SECA DE 1958

Vive em mim a imagem,
Terra seca, sol quente,
Galhos secos, sem folhagem,
Sem vida, sem ter gente.

Rios que não correm,
Terra  que se racha,
Águas que desaparecem,
Na cacimba não se acha.

O vento  poeira levanta,
Folhas mortas voam no ar,
Sertanejo com bravura enfrenta,
Na esperança que vai mudar.

O sol tudo queimou,
O verde desapareceu,
Até a água ele secou,
Quase nada sobreviveu.

Filas de latas e de potes,
Á beira de um cacimbão,
A espera que água brote,
Daquele ressequido chão.

Só quem viu pode dizer,
A tristeza daquela gente,
Ver a plantação morrer,
Queimada pelo sol quente.

O gado de sede, vi chorar,
Seu mugido era um clamor,
Na tristeza de seu olhar,
Representava tanta dor.

Ainda escuto a voz do vaqueiro,
Rebanhando todo o gado,
Na frente da boiada, o primeiro,
Gritando um choro cantado.

O ano de 58 não choveu,
Deserto, virou o sertão,
O sertanejo só sofreu,
Deixou  na terra, seu coração.

Juscelino, o presidente,
Com tamanha inspiração,
Tirou a fome daquela gente,
Com trabalho na construção.

Brasília foi construída,
Trabalho dos nordestinos,
Toda essa gente sofrida,
Agradeceu ao Juscelino.

Trabalho e muita garra,
Com o coração livre de mágoa,
Foram feitos, Orós e Araras,
Para acabar a falta d’água.

Estradas foram construídas,
DENOCS fiscalizou,
Aquela gente destemida,
Com vontade trabalhou.

Cena viva, que doeu,
Mãos duras e calejadas,
O sertanejo sofreu,
Hoje, cenas passadas.

( Apesar de tudo isso, ainda brincavam,
   pois diziam:
   DENOCS - Deus Não Ordenou Cassaco Sofrer -
   Sofre Cassaco Ordinário Neste Departamento ).


João Claudionor de Vasconcelos

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